NEURONIOS CHEIROSOS

12
08
2016

Como o cérebro processa aromas

Ao exercer um impacto direto sobre a região emocional do encéfalo, os cheiros possuem efeitos que escapam ao nosso domínio. É por isso que nos podem acalmar, inquietar, fazer-nos regressar ao passado ou mesmo excitar-nos sexualmente.

Stephen era um estudante de medicina nova-iorquino, de 22 anos, que, após consumir drogas durante algum tempo, passou por uma estranha experiência. “Entrei numa loja de perfumes. Até então, nunca fora especialmente sensível aos cheiros, mas, de repente, conseguia distinguir, instantaneamente, uns dos outros, e cada um me parecia único, evocador, um verdadeiro mundo. […] Entrava na clínica, farejava o ar como um cão e identificava, antes de vê-los, os 20 doentes que ali estavam. Cada um tinha uma fisionomia olfativa própria, o rosto do seu próprio odor”, contou Stephen. Conseguia também distinguir as ruas e as lojas pelo aroma: “Podia mesmo orientar-me e andar por Nova Iorque guiado apenas pelo meu nariz.”

Por estranho que pareça, Stephen não sofria de alucinações. Tal como escreve o neurologista Oliver Sacks no célebre livro O Homem que Confundiu a Mulher Com um Chapéu, o jovem era vítima de hiperosmia, isto é, um aumento da acuidade olfativa que se deve a uma perturbação dos neurónios que libertam o neurotransmissor dopamina. O distúrbio foi provavelmente induzido pelas anfetaminas todas que tomara. Anos depois, quando já exercia medicina, Stephen recordava a experiência, que durou três semanas, com uma certa nostalgia: “Aquele mundo do cheiro, tão vívido, tão real…”

Embora não tenhamos os superpoderes de Stephen, o olfato é um sentido excecional por múltiplas razões. Uma é que os seus nervos conduzem a informação directamente do nariz à amígdala, o centro emocional do cérebro, para depois afetar outras zonas. Isso implica que cada cheiro nos provoca um KO emocional. “Essa via rápida constitui uma herança dos nossos antepassados, para os quais uma reação rápida e visceral aos odores podia marcar a diferença entre viver ou morrer”, explica John J. Ratey, psiquiatra da Escola Médica de Harvard (Estados Unidos) e autor de A User’s Guide to the Brain – Perception, Attention, and the Four Theaters of the Brain.

As mensagens aromáticas também chegam rapidamente aos neurónios do hipotálamo, zona que regula tanto as condutas maternal e sexual como a reação de lutar ou fugir. Por isso, alguns cheiros aceleram o ritmo cardíaco quase de imediato. “Podem assustar-nos, intrigar-nos, reconfortar-nos… E, devido à ligação direta com os centros da memória, conseguem mesmo transportar-nos para uma cena vívida do passado”, indica Ratey.

Para ler o original:
http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1660%3Aneuronios-cheirosos&catid=24%3Aartigos&Itemid=104

Imagem: htttp://www.genetherapy.unb.br/

Publicado em: http://www.aromaflora.com.br/neuronios-cheirosos/

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